Seus dedos na minha pele são arrepios. Todos os pelos, curiosos, levantam-se para ouvir o suspiro. E, comemorando a vitória da pele sobre as palavras, acompanham os seus dedos em ola, arrepiando-se, arrepiados. Seus dedos que, de tão leves, escorregam sobre minha pele, cortando-me em quatro pedaços.
Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar.
[...] Sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso Num só peito de homem... Sem que ele estale.
[...] Estúpido, ridículo e frágil é meu coração. Só agora descubro Como é triste ignorar certas coisas. (Na solidão de indivíduo Desaprendi a linguagem Com que homens se comunicam).
[...] Outrora viajei Países imaginários, fáceis de habitar, Ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.
Meus amigos foram às ilhas. Ilhas perdem o homem. [...]
Tudo é passado e amanhã não tem mais nada. Daqui mais um tempo, miragens. Porra, sabe? Tem coisa que pesa. Pesa ainda mais em mim, uma viciada nessa coisa de eternidade. Quanta dificuldade, quanta.
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... tenho me sentido longe de todo mundo. Ninguém me traduz. Virei deserto e nada mata minha sede. Gente demais me dá um silêncio, cara. Pra agora, eu só queria quê. Conversas baixinhas, brincadeiras com minhas mãos, uma sacudida com qualquer filosofia fodida, dilacerada, porque a poesia já acabou faz tempo.
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Ontem arranquei coisas pra caramba aqui de dentro. Com minhas unhas, mesmo.
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É como quando você me deu aquele último abraço e eu me descobri cheia de corações.Seria impossível tanto rebuliço por conta de um único pulsar.
Jaya, Me desculpe pela apropriação destas frases. É que me descrevem tão bem neste momento que não resisti. O texto todo é lindo, para variar né? Beijos.
Pois que reinaugurando essa criança pensam os homens reinaugurar a sua vida e começar novo caderno, fresco como o pão do dia; pois que nestes dias a aventura parece em ponto de vôo, e parece que vão enfim poder explodir suas sementes: que desta vez não perca esse caderno sua atração núbil para o dente; que o entusiasmo conserve vivas suas molas, e possa enfim o ferro comer a ferrugem o sim comer o não.
É mais fácil pousar o ouvido nas nuvens e sentir passar as estrelas do que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos.
É mais fácil, também, debruçar os olhos nos oceanos e assistir, lá no fundo, ao nascimento mundo das formas, que desejar que apareças, criando com teu simples gesto o sinal de uma eterna esperança
Não me interessam mais nem as estrelas, nem as formas do mar, nem tu.
Desenrolei de dentro do tempo a minha canção: não tenho inveja às cigarras: também vou morrer de cantar.
Tenho tanto sentimento Que é freqüente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira E qual errada, ninguém Nos saberá explicar; E vivemos de maneira Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar.
Eu escrevi um poema triste E belo, apenas da sua tristeza. Não vem de ti essa tristeza Mas das mudanças do Tempo, Que ora nos traz esperanças Ora nos dá incerteza... Nem importa, ao velho Tempo, Que sejas fiel ou infiel... Eu fico, junto à correnteza, Olhando as horas tão breves... E das cartas que me escreves Faço barcos de papel!
Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advêm das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e de que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.
Texto de Carlos Drummond de Andrade Foto de Armando F. Sousa
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Quero aproveitar para agradecer o presentinho que ganhei do Átila. Fiquei muito feliz com o Selo e adorei o poema. Obrigada por lembrar desse blog que tem sido feito com muito carinho.
Sempre gostei de lápis de cor. Gosto de desanhar apesar de não possuir nenhum talento, mas o que realmente gosto é pintar.
Passeando por blogs encontrei esse vídeo que achei lindo e me lembrou do poema que coloquei abaixo, apesar de não ter muito a ver com o vídeo. Mas gosto dos dois, me lembram do quanto é gostoso desenha e pintar e me dão vontade de pegar meu estojo de lápis e sair desenhando e pintando como fazia quando criança.
Aliás porque não faço mais isso se gosto tanto? Só porque cresci? Que besteira, não? Acho que vou voltar a desenhar e pintar, é tão gostoso, relaxante...
Sobre Lápis de Cor
Espalho meus lápis de cor pelo chão.
Há tanto tempo entendo que precisas de espaço...
Mas eu queria te desenhar um desenho bem bonito
em que eu mesma me fizesse céu, sol, passarinho, vento, moinho
(ou algo qualquer que te mostrasse como seria leve minha vida em teu caminho).
Para que tudo fique perfeito, não me importa usar toda minha caixa,
minhas folhas e borrachas, porque (além de ti) não desejo nada.
A única coisa que me faz hesitar é esse medo de o tempo